Maria era simples.
Passadeira, lavadeira
Esfregava as roupas no tanque, com uma força mutante.
Maria era amante.
Namoradeira, paqueradeira
Conquistava um amor relutante, com um olhar brilhante.
Maria era raivosa.
Encrenqueira, zombeteira
Chegava no bar de modo alarmente, e descia seu braço impactante.
Assim Maria vivia.
Arteira, brasileira
Se aproximou com o seu abc perseverante, roubando esse nosso instante.
Maria
Eu
Gordinha
às 09:00 6 leram Tag Momento de desabafo, Poesia
Microconto #29
Eu
Gordinha
Sentiu pela primeira vez algumas dores em um lugar que mal conhecia. Então, triste, constatou que esse tal de amor realmente é dor.
às 09:00 6 leram Tag Microcontos, Momento de desabafo
[De]Cadência
Eu
Gordinha
O segredo do bamba é a decadência do amor
Com notas de ré, emoção e dedilhado
E em mãos cheias de dor,
Surge a cadência de um samba tão abençoado
O segredo do bamba é a emoção e dedilhado
Com notas de ré um samba tão abençoado
E em mãos cheias de decadência do amor,
Surge a cadência de uma dor * Na foto Cartola
Melhor dar férias ao amor
Eu
Gordinha
Se olhou no espelho e com seu reflexo desandou, seu amor deixou e seu sorriso amargou.
Nas loucuras do dia-a-dia mergulhou e, de cabeça racionalizou o fruto de alguém que murchou.
Se achou, amadurecida, destemida.
A fase de amar agora passou despercebida.
Atrevida, queria usar de sedução, mas tinha uma condição:
A de o outro olhar seu reflexo, desandar, o sorriso amargar e a cabeça racionalizar.
Para enfim, abandonar.
E espalhou.
Agora neste mundo este sentimento acabou e resta a discórdia que deixou.
Para esse alguém que um dia a amou e foi deixado, a redenção é seu legado.
Talvez voltar no tempo.
E proteger o fruto que secou, naquela alvorada.
Dar férias ao amor que um dia vai lhe deixar.
E num outro dia voltar a amar.
É o bastante
Eu
Gordinha
Eu não te quero por sexo
Eu te quero sedução
Eu não te quero por palavras
Eu te quero poesia
Não por educação
Sim gentileza
Não por aparência
Sim evidência
Não te quero por luta
Sim conquista
Não te quero lua
Sim sol
Brincar, olhar, me findar
[No seu jogo de armar]
Seu corpo a me acariciar
Como uma tela a pincelar
Eu te quero sedução
Eu não te quero por palavras
Eu te quero poesia
Não por educação
Sim gentileza
Não por aparência
Sim evidência
Não te quero por luta
Sim conquista
Não te quero lua
Sim sol
Brincar, olhar, me findar
[No seu jogo de armar]
Seu corpo a me acariciar
Como uma tela a pincelar
Aprofanada
Eu
Gordinha
Tempo que consome Mundo que some
Da soma da vida
Subtração
vira
Fica então uma dívida
Da que se vai perdida
Tão querida
Esquecida
Escrita
Aprofanada, roubada, calada
Parada.
às 09:00 3 leram Tag Momento de desabafo, Poesia





