Não escrevo.

Não escrevo para elogiarem, não escrevo para chamar a atenção, não escrevo para meu ego, não escrevo para o meu cérebro, não escrevo por cansaço, não escrevo por desabafo.

Não escrevo labirintos, nem tão pouco sucinto, não por criatividade, nem por necessidade, não escrevo doses de homeopatias, nem simpatias.

Não escrevo por prática, nem por perfeição, não escrevo por arte, nem por redenção, não escrevo por tentação, nem por profanação.


                                                Não escrevo o pecado e nem o perdão.

Microconto #49

O capacho ficava feliz todas as vezes em que sua dona pisava nele. Principalmente nos dias de calor em que usava aquela saia especial.

Microconto #48

- Que oração, agora?
- São 10:20. Larga de ser afobada, mulher! Ainda faltam 25 Ave marias.
Sem discutir voltou à sua reza.

Microconto #47

Retalhou uma enorme colcha com os pedaços mais infames de sua vida.

Cansada


Cansei de ser tão só
Na infeliz busca da felicidade
Um pesadelo de bons sonhos
Em busca da eternidade

Tentarei dificilmente seguir teus passos
Amar, viver, mesmo sem te ver
Para não cair novamente
Nesse poço de amargura

O tempo é meu inimigo
Pois depois do acontecido
Passa tão devagar
Ah! Não sei se vou aguentar


Se não tenho a imortalidade viva
Quem sabe a alcançarei
E perto de você descansarei
Para olharmos nosso eterno amor
E ter sempre seu calor

Microconto #46

- Descobri! O que me faz passar pelas paredes é essa tinta nova que você passou, não é pai?

- ... 
- Pai?

Microconto #45

Deixou em seu chapéu algumas lembranças. Pena que ninguém o quis usar.
E assim, se vai a memória de mais um andarilho esquecida no ar.

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