Microconto #52



- Que gatinho, se joga amiga!

E assim fez! Se jogou do 10º andar, depois de terceira vez em que ele a traiu.

Microconto #51

Perdeu a piadinha: "Boa idéia!". 
No dia em que apagou as 51 velinhas do seu bolo de aniversário.

Ao amigo em seu leito de morte

Recebi o tema traição da @xuxudrops, não queria trabalhar esse tema de um modo clichê, com amores e desilusões, como a maioria das vezes em que o vemos.
E o mais bacana é que o destino desse tema era virar um microconto e não é que virou um baita conto!
Espero que gostem, boa viagem!
E ah! Obrigada Xuxu! 

Me lembro de estar na cama de um hospital, não sabia muito bem o que tinha acontecido, só que fui baleado por uns caras que entraram de repente em minha residência. 

Hoje estou aqui, vivo. A munição, pelo o que entendi, perfurou o meu fígado. Eu olho para o lado e tem uma grande máquina (até que silenciosa) que leva para dentro alguns liquidos que saem de mim, um amarelo escuro, bem estranho. Falaram que dependo dela para sobreviver até um transplante.
Sinto um gosto amargo em minha boca, e ela vive constantemente seca. 
Certa manhã recebi a carta de um amigo. Ah! Um grande amigo! Que não conseguia contato há um bom tempo. 
E então abri:
"Amigo (Se é que ao fim dessa carta você me permitirá chamá-lo dessa forma),
Sei que neste momento está em um leito de hospital. Não sei se conseguirá ler esta carta em tempo, me falaram que a sua situação não é uma das melhores.
Saiba que não queria que tivesse acontecido assim.
Me desculpe por ter colocado aquele maldito objeto às escondidas em sua mochila.

Eu não sei como eles descobriram, eu fiz tudo certo, tudo!

Todas as vezes que saía ficava de olho, parecia até que estava com mania de perseguição, olhava para os lados, acima. Atento com todos que passavam na rua. Nossos encontros eram sempre nos lugares escondidos, mas de certa forma em locais públicos, no canto de um bar, no fundo de um restaurante.
Não sei como descobriram!
Isso porque depois do que fiz, evitei o máximo de contato, como você deve ter reparado...

Escrevendo essa carta e ao lembrar do acontecido, eu posso comparar que no momento em que escondi aquilo no meio de suas coisas era como se fosse o beijo de traição que Judas deu em Jesus e o condenou a morte.

Eu te condenei a morte, mas sou inocente! Eu jamais pensaria que eles sairiam de tão longe e ainda procurariam e encontrariam você.
Tento imaginar a sua dor, mas não consigo... Será que sou uma má pessoa? Posso ser uma má pessoa, mas não quero parecer negligente. 

Sei que deve ter encontrado o maldito em sua mochila, quando foi trocar de roupa ao sair da academia como sempre faz. Viu o pequeno embrulho, abriu e não deve ter entendido. Estava certo ao pensar que era meu e o manteve no mesmo lugar para me devolver, quando finalmente me encontrasse.
Te joguei uma grande responsabilidade, que deveria ser minha! Eu que deveria estar em seu lugar, sofrendo o que sofre, passando por tudo isso.
Sei o quanto soa clichê, mas palavras não trarão de volta a sua vida normal, mas como eu queria. Ah! Como eu queria!  

Agora estou em um quarto sujo de hotel, acho que vai sentir o cheiro, quando pegar a carta.
Não sei também como está a minha situação talvez me procurem, para ter a pessoa certa em mãos e se vingarem pelo que fiz. Fiz algo horrível! 

Estou ouvindo alguns passos pesados no corredor, algo está fora do normal. Farei o possível para te entregar isso, e assim, ter um esclarecimento melhor do que aconteceu.

Adeus, e boa sorte à nós!"

Em 10 minutos após ler a carta, senti aquele gosto na boca, mais forte que o normal, tive algumas convulsões, todos os médicos foram me socorrer. 

A última coisa que pensei naqueles minutos foram: do que ele estava falando? Que objeto era aquele? Mas como ele me traiu, o que foi que ele fez de tão grave? Vou morrer?

Sobrevivi! Por enquanto. 

Recebi o jornal e havia a notícia de um homem morto - envolvido com pessoas do mercado negro - que roubou algo tão valioso que não poderia ser citado por enquanto, para não causar pânico na população. Vi o nome da vítima, era do meu amigo, impresso com todas as letras. 

Novamente minha boca inundada com aquele horrível sabor! Fui um laranja! Uma traição por algo que não sei o que é.  Mas não me importa, quando penso que poderia ter perdido minha vida.

E agora eu sei exatamente qual é o gosto da traição.

Microconto #50

Pensou que aquela mancha nunca sairia, esfregou até as mãos sangrarem.
Enxaguou e viu que estava limpo.
Concluiu: algumas manchas na vida são tiradas apenas com sangue.

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