A dor de um luto tão intensa, que eu não acho um salva vidas pra me salvar de afogar em minhas próprias lágrimas

Pensamentos #12

Até nas noites mais sombrias, durante o sono, o rosto de alguém é iluminado por um sonho. 

"Te" e "Me"

Quando me vejo, não sei o que pensar
Quando te vejo, só quero te beijar
Quando me sinto, não quero me tocar
Quando te sinto, não quero mais parar

Te mapeio com um olhar
Me anseio pra te encontrar
Te perturbo com lembranças
Me encho de esperanças

Nesses "te" e "me" é mais fácil dizer que te amo
Ao ponto de me esquecer
Do porquê de viver

Microconto #52



- Que gatinho, se joga amiga!

E assim fez! Se jogou do 10º andar, depois de terceira vez em que ele a traiu.

Microconto #51

Perdeu a piadinha: "Boa idéia!". 
No dia em que apagou as 51 velinhas do seu bolo de aniversário.

Ao amigo em seu leito de morte

Recebi o tema traição da @xuxudrops, não queria trabalhar esse tema de um modo clichê, com amores e desilusões, como a maioria das vezes em que o vemos.
E o mais bacana é que o destino desse tema era virar um microconto e não é que virou um baita conto!
Espero que gostem, boa viagem!
E ah! Obrigada Xuxu! 

Me lembro de estar na cama de um hospital, não sabia muito bem o que tinha acontecido, só que fui baleado por uns caras que entraram de repente em minha residência. 

Hoje estou aqui, vivo. A munição, pelo o que entendi, perfurou o meu fígado. Eu olho para o lado e tem uma grande máquina (até que silenciosa) que leva para dentro alguns liquidos que saem de mim, um amarelo escuro, bem estranho. Falaram que dependo dela para sobreviver até um transplante.
Sinto um gosto amargo em minha boca, e ela vive constantemente seca. 
Certa manhã recebi a carta de um amigo. Ah! Um grande amigo! Que não conseguia contato há um bom tempo. 
E então abri:
"Amigo (Se é que ao fim dessa carta você me permitirá chamá-lo dessa forma),
Sei que neste momento está em um leito de hospital. Não sei se conseguirá ler esta carta em tempo, me falaram que a sua situação não é uma das melhores.
Saiba que não queria que tivesse acontecido assim.
Me desculpe por ter colocado aquele maldito objeto às escondidas em sua mochila.

Eu não sei como eles descobriram, eu fiz tudo certo, tudo!

Todas as vezes que saía ficava de olho, parecia até que estava com mania de perseguição, olhava para os lados, acima. Atento com todos que passavam na rua. Nossos encontros eram sempre nos lugares escondidos, mas de certa forma em locais públicos, no canto de um bar, no fundo de um restaurante.
Não sei como descobriram!
Isso porque depois do que fiz, evitei o máximo de contato, como você deve ter reparado...

Escrevendo essa carta e ao lembrar do acontecido, eu posso comparar que no momento em que escondi aquilo no meio de suas coisas era como se fosse o beijo de traição que Judas deu em Jesus e o condenou a morte.

Eu te condenei a morte, mas sou inocente! Eu jamais pensaria que eles sairiam de tão longe e ainda procurariam e encontrariam você.
Tento imaginar a sua dor, mas não consigo... Será que sou uma má pessoa? Posso ser uma má pessoa, mas não quero parecer negligente. 

Sei que deve ter encontrado o maldito em sua mochila, quando foi trocar de roupa ao sair da academia como sempre faz. Viu o pequeno embrulho, abriu e não deve ter entendido. Estava certo ao pensar que era meu e o manteve no mesmo lugar para me devolver, quando finalmente me encontrasse.
Te joguei uma grande responsabilidade, que deveria ser minha! Eu que deveria estar em seu lugar, sofrendo o que sofre, passando por tudo isso.
Sei o quanto soa clichê, mas palavras não trarão de volta a sua vida normal, mas como eu queria. Ah! Como eu queria!  

Agora estou em um quarto sujo de hotel, acho que vai sentir o cheiro, quando pegar a carta.
Não sei também como está a minha situação talvez me procurem, para ter a pessoa certa em mãos e se vingarem pelo que fiz. Fiz algo horrível! 

Estou ouvindo alguns passos pesados no corredor, algo está fora do normal. Farei o possível para te entregar isso, e assim, ter um esclarecimento melhor do que aconteceu.

Adeus, e boa sorte à nós!"

Em 10 minutos após ler a carta, senti aquele gosto na boca, mais forte que o normal, tive algumas convulsões, todos os médicos foram me socorrer. 

A última coisa que pensei naqueles minutos foram: do que ele estava falando? Que objeto era aquele? Mas como ele me traiu, o que foi que ele fez de tão grave? Vou morrer?

Sobrevivi! Por enquanto. 

Recebi o jornal e havia a notícia de um homem morto - envolvido com pessoas do mercado negro - que roubou algo tão valioso que não poderia ser citado por enquanto, para não causar pânico na população. Vi o nome da vítima, era do meu amigo, impresso com todas as letras. 

Novamente minha boca inundada com aquele horrível sabor! Fui um laranja! Uma traição por algo que não sei o que é.  Mas não me importa, quando penso que poderia ter perdido minha vida.

E agora eu sei exatamente qual é o gosto da traição.

Microconto #50

Pensou que aquela mancha nunca sairia, esfregou até as mãos sangrarem.
Enxaguou e viu que estava limpo.
Concluiu: algumas manchas na vida são tiradas apenas com sangue.

Não escrevo.

Não escrevo para elogiarem, não escrevo para chamar a atenção, não escrevo para meu ego, não escrevo para o meu cérebro, não escrevo por cansaço, não escrevo por desabafo.

Não escrevo labirintos, nem tão pouco sucinto, não por criatividade, nem por necessidade, não escrevo doses de homeopatias, nem simpatias.

Não escrevo por prática, nem por perfeição, não escrevo por arte, nem por redenção, não escrevo por tentação, nem por profanação.


                                                Não escrevo o pecado e nem o perdão.

Microconto #49

O capacho ficava feliz todas as vezes em que sua dona pisava nele. Principalmente nos dias de calor em que usava aquela saia especial.

Microconto #48

- Que oração, agora?
- São 10:20. Larga de ser afobada, mulher! Ainda faltam 25 Ave marias.
Sem discutir voltou à sua reza.

Microconto #47

Retalhou uma enorme colcha com os pedaços mais infames de sua vida.

Cansada


Cansei de ser tão só
Na infeliz busca da felicidade
Um pesadelo de bons sonhos
Em busca da eternidade

Tentarei dificilmente seguir teus passos
Amar, viver, mesmo sem te ver
Para não cair novamente
Nesse poço de amargura

O tempo é meu inimigo
Pois depois do acontecido
Passa tão devagar
Ah! Não sei se vou aguentar


Se não tenho a imortalidade viva
Quem sabe a alcançarei
E perto de você descansarei
Para olharmos nosso eterno amor
E ter sempre seu calor

Microconto #46

- Descobri! O que me faz passar pelas paredes é essa tinta nova que você passou, não é pai?

- ... 
- Pai?

Microconto #45

Deixou em seu chapéu algumas lembranças. Pena que ninguém o quis usar.
E assim, se vai a memória de mais um andarilho esquecida no ar.

Virada da chuva

Pedi um tema ao @carrico, para publicar um texto. O tema sugerido foi "chuva na virada do ano" e eis que surgiu uma, singela, pseudo-crônica:

Mais uma virada de ano. Parece que cada ano que passa fico calejado em não comemorar tanto assim.
Me lembro que no antepenúltimo ano, estava tudo um caos, trabalhando muito, ganhando pouco, desiludido e comemorando por ter passado o ano sem nenhuma DP na faculdade.
Fora um ano sofrido, e na virada sempre tinha uma chuvinha.
Já no penúltimo ano, parecia que as coisas estavam piores, sem trabalho, o dinheiro contadinho na conta e dívidas muitas dívidas. Estudando muito para o TCC e minha mãe ajudando com a conta da faculdade, menos uma para me preocupar. Tinha arranjado uma namoradinha, mas não estava disposto a amar.
Fora um ano mais difícil, e mais uma vez um reveillon com chuva.
Ah! Mas este ano não foi tão ruim assim, estava trabalhando, mesmo sabendo que no 5º dia do novo ano estaria desempregado. Acabou a faculdade,  não tenho mais contas para pagar. Aquela namoradinha lá, se foi com o TCC, reclamou  que eu não tinha tempo para ela, logo quando me dispus a amá-la.
É! Nem sempre tudo pode ficar bem.
Fora um ano melhor, mas sem muitas comemorações! 
Eu comemorei mais, quando senti novamente a chuvinha em meu ombro, inacreditavelmente, ela sempre me acompanha no velho e no novo ano,  um chorinho, sem gritarias de trovões e sem se debater em raios.
Talvez ela sempre quis me mostrar a chance que eu tenho de continuar, mesmo quando não se há muito o que comemorar, e só agora pude me tocar.

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