Microconto #41

Depois de sua infidelidade, uma lição aprendeu: melhor sozinho do que triste!

Microconto #40

No amasso do metrô a mão alegre passava, mas na outra parada a solidão sempre chegava.

Pensamentos #10

Não há seguro no mundo que cubra uma morte acidental do amor.

Microconto #38

A folha em branco o fazia lembrar de sua memória perdida.

Canção anônima

Acorde G
Hoje prometeu-E
Que andaria de D
E sem C
Voltaria a rodar A
O eterno réquiem
Que B desfez
Quando enfim ela voltou

É gripe!

Toca o toco na colina
Sopra o sopro na surdina
Cala o calo na neblina
Nasce o morto na corisa

Feliz Ano Velho

Eu não sei como começo a falar dessa obra, pensei em um: Puta-que-o-pariu é muito bom!

Mas achei que seria muito pobre. Então digo:


Excitante da cabeça ao clitóris!


Depois de ler "Blecaute" e "Bala na Agulha" essa é a 3ª obra de Marcelo Rubens Paiva que tenho o prazer de ler e digo que foi no momento certo. Sempre quis falar sobre suas obras, mas achava não ter cacife, então, hoje tomei coragem, digamos que me sinto mais íntima do escritor, engraçado como suas obras fazem isso, desconfio ser pelo modo que ele fala das mulheres.


Feliz Ano Velho é a história de Marcelo, um anti-herói e herói ao mesmo tempo,tinha uma vida classe média comum, estudava Engenharia em Campinas e recebe mesadas mensais de sua mãe. 
Em uma noite se divertindo e bebendo com os amigos foi dar um mergulho, ao estilo "Tio Patinhas", bate a cabeça violentamente, o lago de meio metro não tinha "fundura" suficiente. Lesionou a cervical e perdeu instantaneamente o movimento de todos os membros abaixo do pescoço.

A partir daí, o livro se transforma em uma espécie de diário em que o personagem narra os desafios que enfrentou desde o longo tempo que ficou internado no hospital até finalmente a volta para sua casa em São Paulo - amigos, amigas, família, lugares, insônias, histórias, músicas, livros, sexo, amores, descobertas - a vida que Marcelo tinha antes e após o acidente se mistura com maestria.
Em nenhum momento da obra há sentimento de dó ou pena; sim de sensibilização, admiração, perdas, conquistas e porque não, boas risadas, quando ele confessa ter broxado uma vez, ou no momento em que viu seu pinto livre de sonda. Tudo isso sem ser piegas e sem ser um livro de auto-ajuda.

Rubens Paiva tem uma escrita simples, popular e sensual (muito sensual).
Nunca vi outro autor utilizar tão bem onomatopéias, tive a impressão de que ele te quer dentro da história, ao lado dele e no lugar dele. Assertivo em suas divagações e com bom humor.

Indico a todos lerem as obras de Marcelo Rubens Paiva são livros que quando termina você fica com saudades de ler.

Pensamentos #9

Outra definição de Amor:

Vírus imunodeficente em que a cada paixão acabada, a visão, aos poucos desembaça.
A cura nunca é total e, dependendo da pessoa, ele volta a te cegar.

A filha do Coronel

"A filha do coronel", assim era conhecida por todos em sua cidadezinha.
Tinha 17 anos, vivia na cidade grande para terminar os estudos em um lugar bom, e ir para São Paulo estudar naquelas grandes e caras Universidades.

Costumava morar em um canto escondido no interior de Pernambuco, onde o sol aquecia e sempre deixava o mormaço. Seu pai o "Coronel", tinha esse nome, não por ser da polícia e sim por ser o prefeito. Todos ainda votavam neste ser, pelas histórias de que ele sabia tudo, inclusive o nome daqueles que não votaram nele. Até mesmo porque aquelas pessoas sumiam, sem explicação.
Mas era um sujeito porreta, bom que só! Instalou o primeiro posto de saúde na cidade, e sempre falava em progresso, progresso aqui, progresso ali.
E, mesmo sem ninguém entender o significado dessa palavra engraçada, todos imaginavam ser algo bom.

Passados alguns poucos anos, os planos da filha do coronel se concretizaram, estava na hora de partir para a grande cidade. Ao mesmo tempo uma tragédia, seu pai perdeu as eleições e o dinheiro ficou curto.
Mas somente para ajudar na próxima "festa da democracia", mais algumas pessoas desapareceram da cidadezinha, menos um adolescente que sobreviveu e testemunhou seus pais serem brutalmente levados.
Mesmo assim, ela pegou o avião. Voou para o seu destino, levando o último dinheiro e esperanças de sucesso.

Se acomodou em um mínusculo apartamento na Augusta, bem próximo a Universidade. Estudou muito, se formou, com louvor e, seduzida pela cidade resolveu ficar.
Tinha um bom emprego e por coincidência encontrou um rapaz que também havia nascido em sua cidade natal, sua história era muito comovente: era órfão e superou o fato de ter assistido praticamente a morte de seus pais, e começaram a namorar.

Em uma ligação soube que agora também era órfã. Seu pai fora assassinado, no discurso de posse, era a 4ª e última vez que se elegia.
Mesmo com todos os privilégios e honras de seu pai a polícia arcaica da cidadezinha não conseguia descobrir o paradeiro de quem ceifou a vida do Coronel.

Ficou durante um curto período o mistério deste homicídio. Curto, porque finalmente a polícia Paulistana prendeu o suspeito, diante dos seguintes fatos:

"Uma moça pernambucana suspeitou que seu namorado a traia, pois desapareceu por 3 dias. Quando o rapaz voltou estava descontrolada e com uma faca na mão, pois não conseguia falar para tirar uma satisfação de seu namorado. No momento, o rapaz, estava tão amedrontado implorando por sua vida que, em um engano, acabou por confessar ser o assassino de seu pai. Mas que se arrependeu, pois, depois, percebeu que realmente se apaixonou pela "filha do Coronel"."

Microconto #37

Aprendeu com as aulas de piano que, definitivamente, ninguém (lhe) tocava melhor do que ela própria. E assim, a solidão virou sua companhia.

Microconto #36

Achava injusto sua dona ter decidido se jogar do 10º andar. Com esforço, a vida correu para ser resumida a tempo de passar por seus olhos.

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