Microconto #46

- Descobri! O que me faz passar pelas paredes é essa tinta nova que você passou, não é pai?

- ... 
- Pai?

Microconto #45

Deixou em seu chapéu algumas lembranças. Pena que ninguém o quis usar.
E assim, se vai a memória de mais um andarilho esquecida no ar.

Virada da chuva

Pedi um tema ao @carrico, para publicar um texto. O tema sugerido foi "chuva na virada do ano" e eis que surgiu uma, singela, pseudo-crônica:

Mais uma virada de ano. Parece que cada ano que passa fico calejado em não comemorar tanto assim.
Me lembro que no antepenúltimo ano, estava tudo um caos, trabalhando muito, ganhando pouco, desiludido e comemorando por ter passado o ano sem nenhuma DP na faculdade.
Fora um ano sofrido, e na virada sempre tinha uma chuvinha.
Já no penúltimo ano, parecia que as coisas estavam piores, sem trabalho, o dinheiro contadinho na conta e dívidas muitas dívidas. Estudando muito para o TCC e minha mãe ajudando com a conta da faculdade, menos uma para me preocupar. Tinha arranjado uma namoradinha, mas não estava disposto a amar.
Fora um ano mais difícil, e mais uma vez um reveillon com chuva.
Ah! Mas este ano não foi tão ruim assim, estava trabalhando, mesmo sabendo que no 5º dia do novo ano estaria desempregado. Acabou a faculdade,  não tenho mais contas para pagar. Aquela namoradinha lá, se foi com o TCC, reclamou  que eu não tinha tempo para ela, logo quando me dispus a amá-la.
É! Nem sempre tudo pode ficar bem.
Fora um ano melhor, mas sem muitas comemorações! 
Eu comemorei mais, quando senti novamente a chuvinha em meu ombro, inacreditavelmente, ela sempre me acompanha no velho e no novo ano,  um chorinho, sem gritarias de trovões e sem se debater em raios.
Talvez ela sempre quis me mostrar a chance que eu tenho de continuar, mesmo quando não se há muito o que comemorar, e só agora pude me tocar.

Microconto #44

Quando o dono se foi, o lápis se calou, o papel amarelou e a personagem sem futuro ficou.

Pensamentos #11

Falaram que na palma da mão tem a linha da vida.
Droga! Se calcular em centimetros acho que tenho só mais 5 anos.

Sem ti

Sente meu corpo gelado
Esvaído de vida
Jogado aos vermes
Na terra largado

Tudo isso senti.

A curva do vento

E se foi quando o vento fez a curva.

Não a vi partir, só senti a ausência e no meu peito parecia ter uma prensa. Não consegui pensar no motivo, será que foi por algo óbvio, mal-resolvido?

Foi díficil chegar em casa e não ver aquela calcinha de bolinhas, pequeninha e todas as outras que eu tanto gostava, penduradas no box do chuveiro.

Resolvi sair de casa, agora chove. Vejo meu reflexo na poça que se formou na rua, aquela mesma, em que passavamos, diariamente, no caminho de volta para casa.

Talvez a culpa foi do vento, o mesmo que a trouxe e encheu minha vida de alegria, agora a levou numa tarde sombria.

Ou a culpa é da rotina, me livrarei dela novamente e quem sabe o vento te trará mais uma vez, e sairei desta corrente de ar, essa brisa que faz me afogar na sua ausência.

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