Perdido no mundo das palavras

Achei melhor repostar todos os capitulos para o final ficar mais coerente, assim, quem não teve a oportunidade de ler todos poderá fazer agora e já com o capítulo final!


Capitulo 1

- Não, não era assim que eu queria começar com você, volta! Tá vai, me espera! Eu vou pensar em alguma coisa.
A folha em branco, um pouco enrugada, na máquina de escrever demonstrava desespero.
Um dia, pensativo e esquecido. Não conseguia soltar todas as palavras e palavrões que estava na cabeça.
Na sacada de sua casa, era possível ver seus cabelos que começavam a ficar grisalhos andando de um lado para outro na tentativa de tirar um folêgo de idéias para escrever.
-  Frustração, frustração, estação! Uma outra estação, frutas, não, não! Porra! Vou acender meu cigarro.




Capítulo 2

De repente a cabeça ficou muda, pensamentos, memórias, orgias surgiam mas não saiam, sentia que o encanto tanto cultivado em escrever e tirar os pensamentos do lugar mais extremo de seu cérebro, estava ausente.  
Saiu se debatendo pelas ruas. Por quê? Por que isso estava acontecendo logo com ele? Uma pessoa empenhada em suas leituras para sempre conseguir escrever mais e melhor.
Mas naquele momento nada era melhor do que uma noite de repouso, para talvez tudo voltar ao normal.
Acordou no dia seguinte e nada, tudo estava igual, nos outros outros dias também. Na semana seguinte resolveu ir ao psicólogo para tentar entender, será que havia desaprendido a escrever?



Capítulo 3

Infelizmente, não havia estudos a respeito e não se sabia de cura, quem sabe o tempo resolveria. Essa nem Freud explicou!
Saiu do consultório decepcionado. Seria nada sem sua escrita, como um passáro frustrado em não saber voar, a prostituta que sai nas ruas e nunca mais conseguiu clientes.
Chegou ao mais alto de sua sacada para ver se conseguia ao menos descrever o horizonte.
Uma folha em branco, caneta, mão: e nada.
Pensou em desenhar suas poesias, ou ao menos a paisagem de sua sacada: bloqueado. Não saia nem uma bolinha, triângulos, rabiscos, simplesmente sua mão ficava parada.



Capitulo 4


Foi procurar um dos escritores veteranos que conhecia, para desabafar, pegar uma segunda opinião. Achava não haver alguém que lhe entenderia melhor.
Explicou o fato e lhe mostrou a mão parada segurando a caneta, como um suícida que fica horas com a faca a mirar o pulso, e não tem sucesso.
Este escritor veterano, contou a outros, que contou a outros, que começaram com o tempo a
se desesperar e ter medo de acontecer o mesmo com eles.
E aconteceu. A todos.

Capítulo Final

Semanas se passaram, poetas, cronistas, contistas, em suicídios morriam um a um. O primeiro sobrevia na esperança de que voltaria a ter sua tão amada escrita. Anos se passam, parece não haver mais volta e, os cabelos ficavam mais brancos tamanha nervosidão.
Uma noite o sobrevivente, perturbado, saiu de sua casa e foi as ruas. No boteco que frequentava, embebedou-se, bradou, gritou o seu desespero, ficou rouco.
Se entregou à melancolia, abraçou prostitutas, quebrou garrafas, arranjou brigas.
Um policial chegou, deixou sua arma em cima da viatura. Deu-lhe a ordem de prisão, o revistou e num piscar olhos sua arma estava na mão do baderneiro.
Tinha o 38 na mira de sua própria cabeça. O policial tentou evitar, enfim percebeu que era um homem desesperado, mas ficou somente as tentativas.

O som forte da munição saindo e indo direto em seu cérebro, ecoou por quarteirões.
Nos últimos segundos de vida sentiu que seus pensamentos saíram de sua mente, e percebeu que provavelmente o mesmo aconteceu com todos os outros. Mas sentiu saber que com sua morte outros poetas, contistas, cronistas, poderiam surgir.


O sobrevivente se foi, mas libertou este narrador que vos conta esta história. Não, não foi nenhum vidente, médium, paranormal, que escreveu.

Eu sou a caneta, o papel e a memória de todos os escritores que se foram.



*Última foto foi utilizada do blog - grupodeatorestolerance.blogspot.com/

7 leram:

Adolfo Payés 20 de novembro de 2009 11:22  

Interesante perderme en este mundo de palabras..

Excelente

Un beso

Saludos fraternos
con el
Abrazo inmenso..

Que tengas un buen fin de semana..

Felipe A. Carriço 20 de novembro de 2009 13:45  

Acabou...

As palavras vazaram da mente do escritor e infestaram o mundo com boas ideas.

Gostei muito do desfecho. Parabéns!

Marcelo Mayer 20 de novembro de 2009 19:59  

o desfecho foi mesmo sensacional. a morte é quando tudo parar de escrever!
as palavras deixaram de ser mentira e se tornaram a verdade para quem a escreve!!!!!

perfeito!

parabéns!

Guará Matos 21 de novembro de 2009 12:31  

Belíssimo conto, escrito por quem tem talento.
Parabéns,
Bjs.
________
Convido você a ler os blogs que edito:
JORNAL AFOGAND O OGANSO/ http;//afogandooganso.blogspot.com - Jornalístico, interativo, humor, deboche e mais e mais...
AFOGANDO O GANSO ENTERTAINMENT/
http://jafogandooganso.wordpress.com/ - Uma visão das coisas lúdicas do Rio de Janeiro, sua vida, cultura e entretenimento.
Ah...pode deixar comentários, rsrsrsrsrs!

Tiago Moralles 21 de novembro de 2009 17:32  

Bom final mesmo.
Bacana.

Barbara C 22 de novembro de 2009 17:42  

Desfecho emocionante e surpreendente!

Parabens!

bjs

Natalya Nunes 24 de novembro de 2009 08:03  

Ótimo desfecho.
Ótimo conto.
Prendeu a atenção do início ao fim.

Parabéns! :D

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